quarta-feira, 17 de abril de 2019

São João Calábria: um santo dos nossos dias


17 e 18 de abril – Celebrando a Beatificação e a Canonização de São João Calábria

Nos dias 17 e 18 de abril comemoramos, respectivamente, os dias de beatificação e de canonização de São João Calábria. Mas nem todos sabem o significado dessas palavras e a importância desses títulos que são atribuídos pela Igreja Católica e que revelam a grandeza da pessoa que os recebe.

Para declarar uma pessoa com o nome de santo(a), o elemento fundamental é que a pessoa tenha levado uma vida exemplar no sentido do amor e da doação ao próximo, como fez o próprio Jesus. Não significa que a pessoa tenha levado uma vida perfeita, mas sim que ela não mediu esforços para amar e para buscar essa perfeição de vida por meio dos valores, atitudes e virtudes.

A Igreja Católica analisa e considera diversos elementos antes de declarar para o povo de Deus que uma pessoa de fato é uma pessoa santa. É um processo que envolve o conhecimento completo da vida da pessoa, análise, provas científicas e argumentos sólidos. Somente assim a Igreja reconhece essa pessoa como santa e à tem como uma intercessora no céu.

Primeiramente a pessoa tem que ser batizada e ter levado uma vida exemplar de filho(a) de Deus, por meio da vivência do amor concreto para com os outros. Muitos santos e santas foram religiosos e religiosas, monges e sacerdotes, porém essa não é uma condição para a santidade. Muitos leigos e leigas também já receberam esses títulos.

Após ter levado uma vida santa, depois da morte da pessoa, iniciam-se os processos de beatificação e canonização, que podem levar anos. Na primeira parte do processo as pessoas são chamadas de “Veneráveis” ou “Servos de Deus”. A Igreja Católica autoriza oficialmente para que o povo de Deus peça a proteção e as graças desta pessoa. Deste modo, as pessoas rezam para pedir uma intercessão dele para Deus.

Os próximos passos do processo se iniciam quando há indícios de uma graça especial, alcançada por alguém que pediu a intercessão do venerável, o chamado milagre. Estes indícios são investigados pelo próprio Vaticano, que tem a missão de verificar e obter provas científicas, a fim de averiguar se tudo não passou de um mal entendido. Assim, depois de uma análise criteriosa, o Vaticano dá seu veredito a favor ou contrário, dependendo do caso. No caso de um veredito favorável, a pessoa venerada, por meio de uma celebração religiosa, é chamado “Bem-aventurado(a)”, que também significa “Feliz”, expressando assim sua condição de agraciado(a) por Deus.

Se continuarem aparecendo mais sinais ou milagres atribuídos ao já Bem-aventurado(a), estes sinais são investigados, como nos processos anteriores, e após isso a pessoa pode ser declarado canonicamente Santo pela Igreja, tornando sua veneração universal a todos os membros do povo de Deus.

O processo de beatificação e canonização do Padre Calábria

Todos sabemos da vida exemplar que levou o Pe. Calábria e isso não foi difícil de ser analisado em seu processo de beatificação e canonização. Todos que o conheciam davam testemunho dessa vida de total amor a Deus e ao próximo. Sendo assim, vamos conhecer um pouco sobre os milagres e demais acontecimentos...

O primeiro milagre atribuído ao Pe. Calábria em seu processo de beatificação aconteceu na província de Áquila, na região da Capadócia. Essa graça dera-se com um lenhador de 72 anos, casado e sem filhos; chamava-se Libório Testa e estava morrendo de cirrose hepática. Depois de ficar algum tempo internado no hospital, onde os médicos tentaram aplicar todas as terapias possíveis para o caso, o pobre Libório, num gesto de piedade, foi mandado para ‘morrer’ em casa. Sua Esposa recorreu a uma amiga, a senhora Florinda Romani, esta disse-lhe “Por que não recorremos ao padre Calábria”. 

Na noite de 27 de dezembro de 1957, colocaram sobre o corpo de Libório, um santinho do Pe. Calábria com uma relíquia, enquanto recitavam a oração que estava no verso, para obter a cura por sua intercessão.

Nas palavras do próprio miraculado (pessoa que recebeu o milagre):
“Depois de um certo tempo, senti vontade de fazer uma necessidade”, contou o curado no Processo, “e, para minha admiração e dos presentes, notei que a barriga tinha desinchado e desaparecera o sufoco. Recuperei as forças, sentido-me como se nunca tivesse tido coisa alguma. Eu e minha mulher nos olhamos no rosto e, chorando de alegria, minha mulher dizia-me: levante-se, levante-se, o padre Calábria está lhe dando a graça! E realmente me estava dando, tinha-me feito vê-la com os próprios olhos!”.

Após a comprovação desse milagre, o Pe. Calábria foi Beatificado no dia 17 de abril de 1988. Mas seus sinais de amor às pessoas não pararam por aí. Mais um milagre aconteceu e foi a confirmação para sua canonização, para ser chamado de Santo.

O milagre aconteceu na Argentina, na cidade de Reconquista, província de Santa Fé. A graça fora alcançada por uma senhora chamada Rita Faccioli, que foi diagnosticada com um ‘câncer avançado’ no seio. Foi internada no Hospital da Igreja Adventista del Plata, onde os médicos realizaram uma mastectomia total esquerda. Seis dias depois da operação, seu estado de saúde agravou-se, e ela perdeu quase completamente a visão do olho direito e ficou paralisada em todo o lado direito do corpo.

Nesse ponto, os médicos, supondo que a metástase tivesse atacado o cérebro, mandaram-na fazer, em um outro hospital especializado, a tomografia do crânio, que, infelizmente, revelou a presença de metástase na parte esquerda do cérebro. Os médicos do hospital adventista, aconselharam então os familiares a leva-la para casa, pois nada mais tinham a fazer. Antes, porém, chamaram um padre da Casa Nazaré, um Pobre Servo da Divina Providência, que, sabendo-a desenganada pelos médicos, aconselhou a começarem uma novena ao Pe. Calábria. Puseram sobre o corpo da doente um santinho com a relíquia e começaram a rezar. Nas palavras da própria Rita:

“Na noite seguinte, 13 de Julho”, conta ela no Processo, “senti-me outra pessoa. Sem dar-me conta, eu movia tranquilamente o braço direito e a perna direita. Também a visão do olho direito voltou ao normal. Em toda a minha pessoa aconteceu uma mudança radical. Recuperei prontamente as forças, de maneira que pude até me levantar e tomar um banho.”

Os médicos, surpresos com a melhora repentina da paciente, realizaram novos exames e constataram o desaparecimento da doença. Diz a Senhora Faccioli, “Nunca mais senti os sintomas daquela doença.”

Assim, após a confirmação de mais este milagre, Pe. Calábria foi considerado e proclamado santo no dia 18 de abril de 1999, um dia inesquecível para a Obra Calabriana, o dia da Canonização de São João Calábria. A multidão que estava na praça São Pedro, no Vaticano, e todos os que acompanhavam aqui no Brasil, através da TV, ouviram com grande emoção o Papa João Paulo II proclamar solenemente "Com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Apóstolos Pedro e Paulo e nossa autoridade, depois de ter largamente refletido, declaramos e proclamamos Santo o Pe. João Calábria". E assim, uma santidade florescia no Brasil e no mundo!

Por fim, cabe ressaltar que todos nós, filhos e filhas de Deus, somos chamados a ser Santos, sendo esta vocação universal da Igreja. São João Calábria sentiu em seu íntimo este chamado, por isso tinha como propósito principal em sua vida a santificação pessoal, e por isso buscou amar a Deus e aos irmãos todos os dias de sua vida. Ele muitas vezes escrevi em seu diário: “Ou santo, ou morto!”, revelando com fortaleza e coragem esse grande propósito de vida que ele pôs em prática.

E nós também, saibamos que somos chamados à santidade que não se expressa em atitudes grandiosas, mas principalmente nos pequenos atos e virtudes do dia a dia, superando nosso egoísmo e direcionando nossa vida para o amor ao próximo, especialmente àqueles que mais precisam.

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