sexta-feira, 14 de março de 2014

Retrato da Doação no Brasil


A prática da doação ainda não está na cultura brasileira. Os brasileiros ainda se sentem pouco estimulados para doação e voluntariado. Essas foram algumas das constatações da pesquisa Retrato da Doação no Brasil, desenvolvido pela Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social Privado (IDIS) e pela Ipsos Public Affairs, um estudo que traça o perfil do brasileiro em relação às doações e causas sociais.

Esse levantamento foi realizado em três etapas: julho, outubro e dezembro de 2013, a partir de entrevistas quantitativas com mil pessoas em cada rodada. A primeira etapa foi probabilística para a seleção dos municípios: 70 municípios do Brasil, sendo nove regiões metropolitanas. Na segunda etapa foram selecionados aleatoriamente setores censitários para compor a amostra e as entrevistas foram realizadas nos domicílios a partir de cotas das variáveis sexo, idade, ocupação, nível socioeconômico e de escolaridade. A margem de erro da pesquisa Ipsos Public Affairs é de 3 pontos porcentuais, com coeficiente de confiança de 95%.


De acordo com Paula Jancso Fabiani, diretora executiva do IDIS, o Brasil ainda não possui muitas informações sobre esse tema. “Nós ainda não temos nenhuma pesquisa que relate o volume de doações no Brasil. O IDIS achou que até para desenvolver uma cultura de doação precisa entender quanto se doa, para quem se doa, quantidade e até para traçar as estratégias”. 


Alguns dados constatados foram: 73% não se sentem estimulados pelo seu círculo de convivência (família, comunidade, escola e trabalho) para realizar doações ou trabalho voluntário; brasileiros ajudam mais pedintes (30%) e igrejas (30%) e em terceiro lugar organizações da sociedade civil. Entre regiões, os entrevistados na região do NE são os mais sensíveis a doar para pedintes, enquanto os da região Norte e Centro-Oeste doam mais para organizações da sociedade civil e igrejas, quando comparados com os da outras regiões. Já as classes C, D e E doaram mais para pedintes de rua e para igreja em comparação as classes A e B, que doam em proporção maior para organizações. 


“É interessante como as regiões Norte e Centro-Oeste aparecem como mais solidárias comparadas com outras regiões: 48% das doações são destinadas para igrejas e 21% para organizações sociais, taxas mais elevadas que a média de 14%  total da amostra”, pontua a diretora do IDIS. 


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